Idade Média | Vestuário

Couple in Medieval Dress | Averil M. Burleigh

A Idade Média começou com a queda do Império Romano do Ocidente, e o início das grandes navegações, com a chegada à América no fim do século V, e durou até o século XV. A Idade Média, Idade Medieval, Era Medieval ou Medievo foi o período intermédio numa divisão esquemática da História da Europa, convencionada pelos historiadores, em quatro “eras”, a saber: a Idade Antiga, a Idade Média, a Idade Moderna e a Idade Contemporânea.  

Os cerca de mil anos foram marcados pela disseminação (e jugo) do Cristianismo e por batalhas que deram a Europa boa parte da sua divisão geo-política atual. 

Poucas pessoas se podiam dar ao luxo de se vestirem com elegância, e durante a maior parte do séc. XVI os homens e as mulheres que o faziam os seus proprios vestuários, copiavam os modelos usados na corte de Espanha. No entanto, nos finais do século, o centro da moda deslocou-se para Paris, donde eram enviadas pequenas bonecas, vestidas segundo a última moda, a quem desejava segui-la e, de acordo com o grupo social onde se inseriam, assim nascia o seu vestuário.   

A Nobreza   

As rainhas tinham, regra geral, armários atulhados de magníficos vestidos, muitos deles bordados a ouro e pedras preciosas. Os reis também se vestiam luxuosamente pois a riqueza dos trajes era uma das formas utilizadas pelos monarcas para cultivarem a obediência dos seus súditos.   

O Povo   

Esta classe social vestia-se com trajes práticos, já que a sua função, na maioria, era o trabalho pesado e o comércio. No início as roupas eram feitas em casa. As famílias criavam ovelhas e cultivavam o linho.   

Quando as cidades começaram a crescer, surgiram lojas especializadas, dirigidas por tecelões, alfaiates, remendões e outros artesões que faziam roupas. No século XII, esses artesãos organizaram -se em corporações chamadas guildas.   

As mulheres começaram a usar vestidos compridos, e justos no busto. Os homens vestiam calções soltos debaixo da túnica, além de vários tipos de coberturas para as pernas. Nos séculos XII e XIII, as mulheres punham redes nos cabelos, usavam véus e panos para cobrir o pescoço, como algumas ordens de religiosas usam até hoje. Os homens usavam na cabeça capuzes com pontas compridas. Tanto homens quanto mulheres vestiam uma sobreveste copiada dos trajes dos cruzados.   

O Clero   

O Clero vestia vestidos escuros e compridos de lã, com capas igualmente escuras e compridas, alguns andavam descalços, outros calçados com sapatos de couro e possuíam terços e adereços da sua religião. Os clérigos que pertenciam a uma ordem religiosa usavam hábitos próprios dessa ordem. O Clero mais rico possuía vestuário rico de acordo com a sua condição.   

Os Dominicanos, por exemplo, vestiam um hábito branco. Os Franciscanos vestiam um hábito castanho. O Clero Secular tinha, como hoje tem, paramentos especiais, ou seja, vestuário próprio para as diferentes cerimonias religiosas.
 
Os Cavaleiros

As Vestimentas de um cavaleiro Medieval eram compostas pelas peças peças abaixo descritas:

- Cota de Malha: Túnica metálica feita de pequenos anéis de ferro ou aço enfiada como uma camisa que adere o corpo por um cinturão, desce até os joelhos e e aberta na frente e atrás para facilitar a subida no cavalo.   

- O Elmo: Tem a função de proteger a cabeça do cavaleiro. Com o passar do tempo foi se modificando até, por, fim proteger totalmente a face e possuir abertura apenas para os olhos e respiração.   

- O Escudo: Tem a forma de uma grande amêndoa que se curva ao longo de seu eixo vertical, e termina numa ponta que possibilita fixá-lo no chão e utilizá-lo como abrigo. As dimensões são de fato consideráveis: cerca de um metro e meio de altura e setenta centímetros de largura, cobre inteiramente o combatente, do queixo ao dedo dos pés, servindo como maca após a batalha. A parte exterior é de couro ou algum tecido nobre, pode ser pintada com figuras que representam o cavaleiro. No caso dos Cruzados, utilizava-se uma cruz pintada em vermelho sobre o branco.   

- A Espada: É arma do cavaleiro por excelência. É composta pela lâmina (alemele), o punho (heudeüre) e o botão de punho (pons).   

- A Lança: É uma arma de estocada. Tem cerca de três metros de comprimento e pesa dois quilos, o que impede que seja arremessada. Pode ser feita de macieira, abeto, ou outra madeira resistente.   

Vestimentas e Armas de um Infante: machado, chicote sem cabo, faca, maça, chuços, besta, adagas, arco, ganchos, atiradeiras, porretes, uma cobertura de ferro ou couro curtido para a cabeça.   

Vestimentas e Armas de um Escudeiro: machado, capacete de ferro, arco, besta, espada, venábulo, jaqueta reforçada, capacete de ferro.   


Fantasia ou Traje Medieval?
   

Este primeiro artigo lançado pela equipe da Moda Medieval, tem como objetivo elucidar a diferença existente entre o que vem a ser a fantasia e o traje medieval.   

A palavra fantasia deriva do grego panthasia e significa obra de imaginação, idéia, devaneio, extravagância, entre outros que não convem citar, visto o nosso interesse primordial: a moda medieval. O traje denota o vestuário habitual, aquilo que se veste. E é nessa linha que daremos continuidade a este artigo.   

Uma peça do vestuário, comumente associada ao período medieval é o espartilho, também conhecido como corpete, corset, ou corselet. Representada tipicamente como parte do traje da taberneira medieval, seu uso foi relatado já no século XII, durante o reinado de Henry I, contudo, como roupa íntima feminina.   

Posteriormente, há relatos de que essas peças tenham sido usadas por homens, também como peça íntima usada para conferir-lhes uma silhueta mais acinturada. Seu uso externo está associado à cortesãs do século XV e, a partir do século XVI, pelas senhoras da nobreza.   

Um fator que dificulta a replicação dos trajes medievais, além do desconhecimento da diferença entre trajes e fantasias, é a composição da mesma. As roupas medievais eram compostas por várias peças sobrepostas e de diferentes materiais, de acordo com a finalidade que possuíam. Vamos detalhar um pouco mais:   

- Roupas íntimas: as mulheres usavam faixas, de linho, não tingidos sobre os seios. Não havia roupas íntimas como conhecemos atualmente. Sobre estas vestes, usavam um camisão, ou chemise, que eram de linho ou seda, não tingidos (cru) e cuja limpeza era freqüente.   

- Roupas propriamente ditas: homens e mulheres usavam túnicas, de manga comprida e justa, e que podiam ultrapassar os pés, arrastando-se no chão, especialmente para as mulheres. Os tecidos variavam entre o linho, a lã, sendo os mais comuns, passando pelas sedas, brocados, satinés e outros de variadas cores. Estas peças, em geral, não eram lavadas para evitar a degradação do tecido e a perda das cores que, às vezes levavam meses para serem fixadas.   

Um detalhe interessante, é que ao longo dos séculos que compreenderam o medievo, houve um encurtamento e ajustamento das vestes ao corpo, não nas vestimentas femininas, como nos dias atuais observamos, mas nas masculinas. Grande parte da pressão para a manutenção do volume e quantidade de tecidos nas vestes femininas ocorreu em função de pressões ideológicas exercidas pela igreja.   

As túnicas masculinas (tunics) se verteram para cotes, cotehardies, mostrando cada vez mais as pernas, que eram cobertas por braies (meiões que chegavam até a virilha e eram presas à cintura). Ademais, os adereços ficaram cada vez mais coloridos e volumosos, chegando o que hoje conhecemos com fantasias de ‘bobos da corte’, mas que constituíam moda utilizada por pessoas comuns á época, apesar de não muito bem vistas por pessoas mais conservadoras da época (em especial, o clero).   

Este movimento também foi observado entre as vestes femininas, mas de modo muito mais discreto e lento, de modo a marcar um pouco mais o colo e a cintura. As túnicas também evoluíram para cotehardies, bliauts e kirtles. Com um acréscimo crescente de cortes e padrões de estampagens.   

Como sobrevestes, além dos conhecidos mantos e capas, haviam outros modelos que foram resgatados dos registros. Entre eles estavam o houppelande, o peliçon, o surcote, o sideless gown, etc.   

Apesar das dificuldades naturalmente existentes para a recuperação das roupas – visto que os tecidos se desintegram rapidamente – o trabalho de recuperação de trajes a partir de sítios arqueológicos e de edificações históricas, além da pesquisa exaustiva de várias pinturas e iluminaturas contribuíram para mostrar o quão rico e intrigante pode ser o universo do vestuário medieval.   

Fonte: Fantasia ou Traje Medieval? de Carolina Alencar | www.modamedieval.com.br   

  
Filmes
  

Deste período, as Cruzadas e a peste negra foram os fatos mais explorados pelo cinema. Alguns filmes ambientados na Idade Média, procuraram dar um panorama geral da época. Abaixo alguns deles:

01.  Ladyhawke, o Feitiço de Aquila (Ladyhawke – 1985)
02.  O Leão no Inverno (The Lion in Winter – 1968)
03.  Cruzada (Kingdom of Heaven – 2005)
04.  El Cid (El Cid – 1961)
05.  Os Contos de Canterbury (The Canterbury Tales – 1971)
06.  A Lenda da Flauta Mágica (The Pied Piper – 1972)
07.  Joana d’Arc de Luc Besson (The Messenger: The Story of Joan of Arc – 1999)
08.  Conquista Sangrenta (Flesh and Blood – 1985)
09.  O Retorno de Martin Guerre (Le Retour de Martin Guerre – 1982)
10.  Coração Valente (Braveheart – 1995)
11.  Excalibur – Lenda do Rei Arthur (Excalibur – 1981)
12.  Robin Hood (Robin Hood – 2010)
13.  Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões (Robin Hood: Prince of Thieves – 1991)
14.  O Incrível Exército Brancaleone (L’armata Brancaleone – 1966)
15.  O Nome da Rosa (The Name of the Rose – 1986)
16.  Em Nome de Deus (Stealing Heaven – 1988)
17.  Henrique V ( Henry V – 1989)
18.  A Rainha Margot (La Reine Margot – 1994)
19.  O Sétimo Selo (Det Sjunde Inseglet – 1957)
20.  As Brumas de Avalon (The Mists of Avalon – 2001)
21.  Romeu e Julieta (Romeo and Juliet – 1968)
22.  Tristão e Isolda (Tristan and Isolda – 2006)
23.  Os Cavaleiros da Távola Redonda (Knights of the Round Table – 1953)
24.  Macbeth (Macbeth – 1947)
25.  Arn: O Cavaleiro Templário (Arn: The Templar Knight – 2009)
26.  Lancelot (Lancelot – 1974)
27.  Decameron (Decameron – 1971)
28.  O 13° Guerreiro (The 13th Warrior – 1999)
29.  Alexander Nevsky (Alexander Nevsky – 1939)
30.  Os Vikings (The Vikings – 1958)
31.  O Senhor da Guerra (The War Lord – 1965)
32.  Lancelot – O Primeiro Cavaleiro (First Knight – 1995)
33.  Os Irmãos Grimm (The Brothers Grimm – 2005)
34.  Coração de Dragão (Dragonheart – 1996)
35.  Coração de Cavaleiro (A Knight’s Tale – 2001)

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